No próximo dia 13 de maio a abolição da escravatura chega aos 122 anos. Apesar de tudo o que foi negociado e tentado pela “minoria” negra liberta é dramático reconhecer em alguns pontos do Brasil o pensamento escravagista. Não é preciso ter olhos de antropologia para perceber que as coisas nunca andaram muito e que as etnias ainda vivem em cenário conflituoso mesmo num país conhecido internacionalmente como miscigenado.
São Luís, no Maranhão, é um destes pontos onde é fácil presenciar o abismo que ainda impera nas relações sociais tupiniquins. Guardo uma frase dita pela guia Lisandra em visita à Casa de Nhôzinho, no Centro Histórico da capital maranhense: “Os negros foram jogados nas ruas e precisaram fazer alguma coisa”.
Esse sentimento de excreção nunca tinha me ocorrido com tanta veemência. Faz muito tempo que nada no Brasil é realmente planejado e sempre caberá às futuras gerações dar conta de tudo. Viveremos com o estigma de sermos o país do futuro.
A falta de políticas ou planejamento social para a fase de libertação dos escravos foi crucial para o retrato da miséria que assola a nação. Hoje, precisamos discutir cotas e ver estampado nos jornais as vítimas da violência urbana, que aos poucos chega ao interior.
A pobreza ainda é negra no Brasil e pouco vejo espaço para que ela mude de cor. Visitar um lugar colonial como São Luís me serviu de grande lição. Nos shoppings, lojas, bares, botecos, a separação entre quem serve e quem é servido ainda é definida pela cor.
Ao contrário de outros lugares do Nordeste, raramente encontramos um negro em um ambiente social. Eles estão nos estacionamentos, balcões, ruas, alguns de rastafári, o que faz a situação se tornar ainda mais pitoresca. Um mau sinal.
Para o resto do mundo, os maranhenses sempre serão os “regueiros” filhos de Bob Marley no Brasil. Tudo será muito bonito até o ponto em que a burguesia for diretamente prejudicada pelo excesso no abandono de toda uma população. Que vota!
Garanto que a mesma exclusão não acomete somente os negros, mas também a população indígena, muito predominante, principalmente no interior do Estado.
Enfim, não nos faltam provas da ineficácia governamental do país, sempre atrelada à busca de realizações pessoais e corrupção. Poderia dizer simplesmente que é urgente o pensamento em políticas públicas para a população negra. Contudo enquanto não há ação, infelizmente encontraremos tantos renegados sociais nos servindo e o espírito do “Black is Beautiful” apenas no juízo.










